Termografia nos quadros da empresa com que frequência fazer é uma pergunta que a norma de manutenção responde por método, e não por um número único: o intervalo sai do programa de manutenção da edificação, que a NBR 5674 manda montar com periodicidade própria para cada sistema, e é ajustado pelo que o último relatório encontrou. Na prática, o gestor fixa um intervalo de partida para cada grupo de quadros conforme a criticidade da carga e o regime de uso, e encurta esse intervalo onde houve ponto quente, carga nova ou ambiente agressivo. O que sustenta a decisão diante da diretoria, da auditoria ou da seguradora é o registro: intervalo adotado, motivo e relatórios arquivados.
A dúvida chega ao gestor de facilities ou de manutenção quando a proposta de termografia aparece junto com o contrato de manutenção predial, ou quando a auditoria do cliente pede o relatório termográfico e ele não existe. Em indústrias, galpões e prédios comerciais de São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Caçapava, a resposta errada costuma ser uma das duas pontas: fazer uma vez e nunca mais, ou contratar um ciclo fixo sem relação com o risco de cada quadro. O que a inspeção enxerga e o que o relatório precisa conter está no artigo sobre termografia em quadro elétrico e o relatório; este trata de como definir e registrar a frequência.
O que a norma de manutenção define e o que deixa para a empresa
A NBR 5674:2024, norma da ABNT para a gestão da manutenção de edificações, pede que toda edificação tenha um programa de manutenção que determine, para cada sistema, as atividades, a periodicidade, os responsáveis, os documentos de referência e os recursos, e que esse programa seja atualizado periodicamente. A periodicidade é definida em função de cada sistema, observadas as prescrições do projeto e das especificações técnicas, e a norma vale também para edificações existentes antes dela, que devem adequar ou criar seus programas. A norma de inspeção predial, a NBR 16747, manda avaliar a manutenção da edificação por esses requisitos.
A termografia não aparece na norma com um intervalo fixado. O Anexo A, que traz um modelo de programa preventivo, é informativo, e as periodicidades dele são sugestões a ajustar por projeto e especificação; para o quadro de distribuição, a sugestão é o reaperto de todas as conexões a cada ano, atividade que a inspeção termográfica antecede e orienta. Para a edificação comercial e industrial, portanto, a frequência da termografia é uma decisão do programa de manutenção da própria empresa, tomada com base técnica e registrada.
Isso distingue a termografia dos documentos da edificação que têm prazo fixado em norma. A NBR 14037:2024, norma do manual de uso, operação e manutenção, traz no Anexo A, que é normativo, a relação de documentos técnicos com o prazo de renovação de cada um, e nela o atestado do sistema de proteção contra descargas atmosféricas, o SPDA, é renovado a cada ano, sob incumbência de quem administra a edificação, com inspeção também fora do calendário depois de suspeita de descarga sobre a estrutura e depois de reforma ou alteração de uso. O atestado das instalações elétricas consta da mesma relação, com a observação de verificar a legislação específica. A termografia dos quadros não substitui esses atestados: ela alimenta o relatório de inspeção das instalações elétricas e o histórico que sustenta a renovação.
A lista de registros da norma de manutenção inclui as verificações e o relatório das instalações elétricas, e a lista de documentos que a norma de inspeção predial pede à edificação cita os ensaios preditivos, como a termografia. Para a empresa há ainda a NR-10, a norma regulamentadora do Ministério do Trabalho para segurança em instalações e serviços com eletricidade: a redação nova, em vigor a partir de junho de 2027, passa a exigir de toda organização a inspeção das instalações elétricas com relatório, plano de ação e cronograma de adequação, assunto do artigo sobre o que muda com a nova NR-10. O relatório termográfico alimenta esse conjunto.
Os fatores que pesam no intervalo
A norma de manutenção lista o que o programa deve considerar ao definir atividades e periodicidades, e a lista serve como roteiro para a termografia. Os fatores que mais pesam em empresas da região:
- Criticidade da carga: o quadro que alimenta a linha de produção, a câmara fria, o CPD ou a bomba de incêndio tem consequência de falha diferente da do quadro de iluminação do pátio, e o intervalo acompanha essa consequência;
- Regime de uso: operação em três turnos, carga contínua e partidas frequentes de motores aquecem conexões mais depressa do que uso em horário administrativo;
- Idade e histórico: quadro antigo, com pontos quentes em inspeções anteriores ou reparos recentes, pede intervalo menor até que relatórios seguidos venham limpos;
- Alterações na instalação: carga nova, ampliação, troca de equipamentos, aparelhos de ar-condicionado ou carregadores de veículo elétrico mudam a corrente que passa pelo quadro;
- Condições do ambiente: a norma manda considerar as condições climáticas e ambientais do local, e no Vale do Paraíba isso significa poeira de processo, umidade, calor em sala elétrica sem ventilação e, no Litoral Norte, a maresia sobre conexões e contatos;
- Sazonalidade: o verão concentra a carga de climatização e as temperaturas mais altas na sala elétrica, e a inspeção feita antes dele encontra o quadro na condição em que vai operar;
- Exigências de terceiros: quando a apólice de seguro, o contrato com o cliente ou a auditoria de certificação trazem condição sobre a manutenção elétrica, o relatório termográfico com data é a evidência, e o intervalo precisa caber nessa exigência.
Cada fator encurta ou alonga o intervalo, e por isso a mesma planta costuma ter intervalos diferentes para grupos diferentes de quadros.
Um intervalo de partida e a revisão a cada relatório
O método é simples de registrar. O gestor classifica os quadros em dois ou três grupos pela criticidade, fixa para cada grupo um intervalo de partida e anota, no programa de manutenção, o motivo da escolha. O relatório de cada inspeção, que pela norma deve descrever a degradação encontrada, estimar a perda de desempenho, recomendar ações e conter prognóstico de ocorrências, é o que permite revisar esse intervalo com base em fato: quadro que vem limpo em inspeções seguidas pode ter o intervalo alongado; quadro com ponto quente ou carga nova tem o intervalo encurtado até estabilizar.
Como o planejamento das atividades e a previsão orçamentária da norma de manutenção são anuais, a revisão do intervalo entra nesse calendário: a cada ciclo, o gestor decide, com os relatórios na mão, se mantém, encurta ou alonga o intervalo de cada grupo, e a decisão fica registrada com data. O ponto quente encontrado gera uma segunda data, a da reinspeção depois do reparo, que confirma a correção e não substitui o ciclo regular; o que fazer com cada ponto apontado está no artigo sobre ponto quente na termografia.
Inspeções fora do calendário
O intervalo do programa vale para a operação normal. Algumas situações pedem termografia antes da data prevista, e o gestor as inclui no programa como gatilhos:
- disjuntor que passa a desarmar, tampa de quadro aquecida, cheiro de material aquecido ou ruído vindo do quadro;
- ampliação da instalação, carga nova relevante ou troca de equipamentos alimentados pelo quadro;
- reparo em conexão, disjuntor ou barramento, com reinspeção para confirmar que a temperatura voltou ao esperado;
- retomada de operação depois de parada longa ou de manutenção geral da planta;
- véspera de período de carga máxima, como o verão em indústrias com climatização intensa, ou de auditoria de cliente.
Como encaixar a termografia no plano de manutenção
A norma de manutenção pede que o programa tenha, para cada atividade, uma estrutura mínima, e preencher essa estrutura para a termografia é o que transforma uma contratação avulsa em item de gestão. Para cada grupo de quadros, o programa registra:
- Sistema e atividade: instalações elétricas, inspeção termográfica dos quadros do grupo, com a relação dos quadros incluídos;
- Periodicidade: o intervalo de partida e o motivo, mais os gatilhos de inspeção fora do calendário;
- Responsável: a norma distingue a empresa capacitada, que trabalha sob orientação de profissional habilitado, da empresa especializada, com qualificação e competência técnica específicas; a termografia de quadros energizados é serviço de empresa especializada, com engenheiro responsável e ART;
- Documentação e comprovação: o relatório termográfico com data, identificação dos quadros, classificação dos pontos e prognóstico, e a ART correspondente;
- Modo de verificação: a conferência de que cada ponto apontado recebeu ação, responsável e data, e de que a reinspeção foi feita;
- Custo: a termografia entra na previsão orçamentária anual, que pela norma inclui reserva para a manutenção corretiva, e as decisões sobre fazer ou adiar intervenções recomendadas ficam registradas em ata ou documento equivalente.
O arquivo fecha o ciclo. A norma pede registros legíveis, disponíveis e com período de armazenamento definido, e manda entregar formalmente toda a documentação ao sucessor quando muda o responsável legal. Para a termografia, isso significa guardar a série de relatórios, e não só o último: é a série que mostra ao auditor, ao inspetor predial e à seguradora que o intervalo adotado tem base e que os pontos encontrados foram tratados. A norma de inspeção predial do IBAPE lista os relatórios termográficos entre os documentos da parte elétrica que o inspetor solicita. Na contratação, proposta sem a relação dos quadros, sem o responsável técnico e sem o formato do relatório não dá ao gestor o que ele precisa para registrar o serviço no programa.
Como a IC Para Raios atua
A IC Para Raios atua em SPDA e instalações elétricas desde 1994, com equipe própria e engenheiro eletricista registrado no CREA-SP, atendendo indústrias, galpões e prédios comerciais de São José dos Campos, do Vale do Paraíba e do Litoral Norte. Na termografia, o trabalho começa pela classificação dos quadros com o gestor, segue pela inspeção com a instalação em operação e termina no relatório com ART, com prioridade, prognóstico e reinspeção depois do reparo. A empresa também ajuda a definir o intervalo de partida de cada grupo e a registrar a atividade no programa de manutenção, de modo que a próxima termografia já tenha data, motivo e orçamento previstos.
Perguntas frequentes
Termografia nos quadros elétricos: de quanto em quanto tempo a empresa deve fazer?
O intervalo é definido no programa de manutenção da edificação, que a NBR 5674 pede com periodicidade própria para cada sistema, e revisto a cada relatório. Quadros críticos, com histórico de pontos quentes, carga nova ou ambiente agressivo têm intervalo menor; quadros de baixa criticidade que vêm limpos em inspeções seguidas podem ter intervalo maior. A decisão fica registrada com o motivo.
Existe norma que obrigue termografia anual nos quadros?
A NBR 5674 não fixa intervalo para a termografia: o modelo de programa do seu Anexo A é informativo e sugere, para o quadro de distribuição, o reaperto das conexões a cada ano. O que a norma exige é que a empresa tenha programa de manutenção com periodicidade definida para cada sistema e registros das inspeções. A norma de inspeção predial lista os ensaios preditivos, como a termografia, entre os documentos que a edificação apresenta.
Quem define o intervalo: a empresa ou o prestador da termografia?
A responsabilidade pelo programa de manutenção é de quem administra a edificação, que pode delegar a gestão a empresa ou profissional contratado. O prestador assessora com o relatório e o prognóstico de cada inspeção, e o gestor decide e registra o intervalo no programa.
Empresa pequena, atendida só em baixa tensão, precisa de termografia?
A norma de manutenção vale para toda edificação, inclusive as existentes antes dela, e a decisão sobre a termografia sai da criticidade das cargas e do histórico dos quadros, não do porte da empresa. Um quadro único que alimenta câmara fria ou máquina sem reserva pode justificar intervalo menor do que o de uma planta grande com cargas redundantes.
O que a empresa guarda depois de cada termografia?
O relatório com data, a relação dos quadros inspecionados, a classificação de cada ponto, o prognóstico, a ART do responsável técnico, o registro das ações tomadas para cada ponto e o relatório da reinspeção. A série completa fica no arquivo de manutenção, disponível para auditoria, inspeção predial e seguradora, e é entregue formalmente a quem assumir a gestão.
Termografia de quadros
Termografia e plano de manutenção elétrica para empresas do Vale do Paraíba
A IC Para Raios atua em SPDA e instalações elétricas desde 1994, com equipe própria e engenheiro responsável registrado no CREA-SP. Executamos:
- Classificação dos quadros e definição do intervalo de inspeção com o gestor
- Termografia dos quadros com a instalação em operação
- Relatório com ART, prioridades, prognóstico e reinspeção
- Inspeção das instalações elétricas e documentação para a NR-10
Atendemos São José dos Campos, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte de SP.
Conteúdo revisado por Engº Eletr. Ilton S. Coppio, engenheiro eletricista registrado no CREA-SP sob o nº 0601520979.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação técnica da instalação nem a leitura do programa de manutenção e do manual da edificação. Os requisitos normativos devem ser conferidos no exemplar licenciado da norma.


