Pular para o conteúdo

Inspeção e manutenção

Termografia em quadro elétrico: para que serve e o que o relatório deve trazer

23 · setembro · 2026 Leitura de 7 min Revisão de engenharia
Corredor de sala elétrica com fileiras de painéis metálicos fechados e numerados, com botoeiras na porta e iluminação baixa
Todos os artigos

A termografia em quadro elétrico é uma inspeção feita com câmera de infravermelho, com a instalação energizada e em operação, para encontrar aquecimento anormal em conexões, disjuntores, contatores e cabos antes que eles falhem. Ela não substitui a inspeção visual nem a manutenção do quadro: serve para dizer onde intervir primeiro e com que urgência. Para o gestor, o que decide o valor do serviço é o relatório, que precisa localizar cada ponto encontrado, classificar a prioridade e registrar o que fazer.

A oferta costuma chegar junto da renovação do contrato de manutenção predial, e a dúvida é sempre a mesma: isso é necessário ou é serviço a mais. O texto reúne o que a inspeção enxerga, o que ela não enxerga, o que o relatório entregue ao condomínio ou à empresa deve conter e como o serviço se encaixa no programa de manutenção que a administração já mantém.

O que a inspeção enxerga

Conexão elétrica mal apertada, oxidada ou com cabo subdimensionado aquece quando a corrente passa. Esse aquecimento antecede a falha em semanas ou meses, e é invisível com o quadro fechado. A câmera de infravermelho mede a temperatura das superfícies à distância e mostra a diferença de calor entre pontos que deveriam estar na mesma condição, o que permite comparar as três fases de um mesmo circuito ou dois disjuntores de mesma carga.

Na prática, a inspeção em quadros e painéis de condomínio, galpão e indústria costuma encontrar:

  • bornes e parafusos de barramento com aperto perdido ou contato oxidado;
  • disjuntores e contatores operando acima da temperatura dos vizinhos de mesma carga;
  • desequilíbrio entre fases, com um condutor visivelmente mais quente que os outros dois;
  • emendas e terminais executados fora do padrão do restante da instalação;
  • cabos aquecendo por carga acima da capacidade do circuito.

Dois limites precisam ficar claros antes da contratação. A câmera lê a superfície: componente interno a uma carcaça, cabo dentro de eletroduto e conexão atrás de barreira não aparecem. E a inspeção depende de carga: circuito desligado ou em operação mínima no momento da visita não revela o defeito, o que costuma exigir combinar o horário da inspeção com o período de maior uso da edificação.

O que o relatório deve trazer

Relatório de termografia que entrega apenas a imagem colorida e a temperatura medida não serve à decisão de quem administra. A NBR 5674, norma de gestão de manutenção de edificações, define o conteúdo mínimo do relatório de inspeção e é a referência com que o gestor cobra o prestador: descrever a degradação encontrada, estimar a perda de desempenho sempre que possível, recomendar as ações que reduzem a manutenção corretiva e apresentar prognóstico de ocorrências. O prognóstico é a parte que mais falta nos documentos que chegam à administração, e é o que responde à pergunta do conselho sobre o que acontece se nada for feito.

Na conferência do documento recebido, a administração verifica se cada ponto encontrado traz:

  • a imagem térmica e a fotografia comum do mesmo ponto, lado a lado;
  • a identificação de onde ele está: prédio, sala, quadro, circuito e componente;
  • a condição de carga no momento da medição, sem a qual o resultado não é comparável;
  • a classificação de prioridade, separando o que exige intervenção imediata do que entra no próximo ciclo de manutenção;
  • a ação recomendada e o prognóstico caso ela não seja executada;
  • o registro da reinspeção depois do reparo, que é o que comprova a correção.

O relatório é assinado por profissional habilitado, com o documento de responsabilidade técnica correspondente, e traz a identificação do equipamento usado. Sem responsável técnico nomeado, o documento não sustenta cobrança de prestador nem conversa com a seguradora.

Onde o serviço entra no programa de manutenção

A termografia é técnica de inspeção dentro da manutenção preventiva, e não um serviço avulso. A NBR 5674 pede que o programa de manutenção da edificação registre, para cada sistema, a atividade, a periodicidade, quem executa, a documentação de referência e o custo previsto, e que as inspeções sigam os intervalos do manual de uso, operação e manutenção elaborado conforme a NBR 14037. A inspeção termográfica dos quadros entra nesse programa como uma linha própria, com a mesma disciplina de registro das demais.

O intervalo sai do programa da edificação, não de uma regra única. O que o orienta é a criticidade do circuito, o regime de uso e o histórico de ocorrências: sala de bombas de incêndio, quadro geral e cabine de entrada pedem atenção diferente de um quadro de área comum de baixa ocupação. A mesma norma sugere, no programa preventivo, o reaperto das conexões dos quadros de distribuição uma vez por ano, o que dá o par natural para a inspeção: a termografia indica onde o reaperto e a substituição são prioritários, e a visita seguinte confirma se o serviço resolveu.

O que pedir na proposta

A NBR 5674 também lista o que o orçamento de um serviço de manutenção deve conter, e essa lista serve de roteiro para comparar propostas. Ao pedir orçamento de termografia, a administração confere:

  • o escopo: quais quadros, painéis e salas entram, e quais ficam de fora;
  • a condição de carga em que a medição será feita e o horário acordado para isso;
  • a indicação do responsável técnico pela atividade e o documento de responsabilidade que será emitido;
  • o prazo de entrega do relatório e o formato em que ele será entregue;
  • se o preço inclui a reinspeção dos pontos corrigidos;
  • o atendimento à legislação de segurança do trabalho na execução, já que o serviço é feito com a instalação energizada.

Esse último item merece atenção da administração: a inspeção exige abertura de painel energizado por equipe com habilitação, autorização e procedimento próprios. É o prestador quem responde por isso, e o condomínio ou a empresa contratante confere a documentação antes de liberar o acesso.

Sinais de atenção antes mesmo da inspeção

Alguns indícios antecipam a necessidade e ajudam o síndico ou o gestor de facilities a justificar o serviço em assembleia ou no orçamento do ano:

  • disjuntor que desarma sem causa aparente ou que só desarma em horário de pico;
  • porta de quadro quente ao toque, cheiro de material queimado ou escurecimento visível em torno de bornes;
  • carga nova ligada em instalação antiga, como ar-condicionado, recarga de veículo elétrico ou reforma de área comum;
  • quadro sem registro de manutenção nos últimos anos, situação comum depois da troca de síndico ou de administradora;
  • exigência de vistoria, de apólice ou de contrato de locação pedindo comprovação de manutenção elétrica.

O artigo sobre responsabilidade do síndico na manutenção elétrica trata de quem responde por essa rotina, e o de laudo elétrico em condomínio descreve o que a avaliação completa da instalação cobre.

Como a IC Para Raios atua

A IC Para Raios realiza inspeção termográfica de quadros, painéis e cabines em condomínios, galpões e indústrias de São José dos Campos, do Vale do Paraíba e do Litoral Norte, com equipe própria e relatório assinado por engenheiro eletricista registrado no CREA-SP. O relatório localiza cada ponto encontrado, classifica a prioridade, indica a ação recomendada e registra a reinspeção depois do reparo, em formato que a administração arquiva junto dos demais documentos de manutenção da edificação.

Perguntas frequentes

Termografia substitui a manutenção do quadro elétrico?

Não. Ela é uma inspeção: aponta onde há aquecimento anormal e com que urgência intervir. O reaperto, a limpeza, a substituição de componentes e a correção do que foi encontrado continuam sendo serviços de manutenção, executados depois e confirmados por nova medição.

Precisa desligar a energia do prédio para a inspeção?

Não. A medição é feita com a instalação energizada e em operação, porque é a corrente que produz o aquecimento a ser observado. Por isso a execução exige equipe habilitada e autorizada, com os procedimentos de segurança do trabalho, e por isso o horário da visita é combinado com a administração.

De quanto em quanto tempo a inspeção deve ser refeita?

O intervalo vem do programa de manutenção da edificação, que considera a criticidade de cada quadro, o regime de uso e o histórico de ocorrências. A NBR 5674 remete aos intervalos do manual elaborado conforme a NBR 14037 e sugere, no programa preventivo, o reaperto das conexões dos quadros de distribuição uma vez por ano.

O relatório de termografia serve para a seguradora?

Ele compõe o conjunto de registros de manutenção da edificação, junto do programa, dos relatórios de inspeção e dos comprovantes dos serviços executados. Para ter esse valor, precisa identificar a edificação, os pontos inspecionados, a data e o responsável técnico, com o documento de responsabilidade correspondente.

A inspeção encontra todo defeito da instalação?

Não. A câmera lê temperatura de superfície, então componente interno a carcaça, cabo embutido e conexão atrás de barreira ficam fora do alcance. Defeito que não aquece, como falta de dispositivo de proteção ou identificação ausente de circuito, é achado da inspeção visual e do laudo elétrico.

Inspeção termográfica

Termografia de quadros e painéis no Vale do Paraíba

A IC Para Raios atua em engenharia elétrica desde 1994, com equipe própria e engenheiro responsável registrado no CREA-SP. Executamos:

  • Inspeção termográfica de quadros, painéis e cabines
  • Relatório com localização, prioridade e ação recomendada
  • Correção dos pontos encontrados e reinspeção
  • Laudo elétrico e manutenção preventiva de instalações

Atendemos São José dos Campos, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte de SP.

Conteúdo revisado por Engº Eletr. Ilton S. Coppio, engenheiro eletricista registrado no CREA-SP sob o nº 0601520979.

Este conteúdo é informativo e não substitui a inspeção da instalação de cada edificação nem a leitura do programa de manutenção e do manual da edificação. As orientações citadas devem ser confirmadas nas normas ABNT NBR 5674 e ABNT NBR 14037.