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Captação e descidas

Captação e descidas de SPDA: como o sistema é dimensionado

08 · setembro · 2026 Leitura de 8 min Revisão de engenharia
Mastro metálico fixado em base de concreto sobre a laje de cobertura de um edifício, com a serra ao fundo
Registro de campo · IC Para Raios
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Captação e descidas de SPDA são a parte visível do sistema, e também a que mais gera dúvida quando o síndico ou o gestor predial recebe um projeto para aprovar. A pergunta que chega até nós quase sempre tem a mesma forma: por que este prédio recebeu quatro descidas e o vizinho, de altura parecida, recebeu seis.

A resposta está em um conjunto pequeno de parâmetros da ABNT NBR 5419-3:2026, que governa o SPDA físico. Este artigo percorre como a captação é posicionada, quantas descidas o sistema recebe, qual a distância de segurança em relação às massas metálicas da edificação e o que muda quando a superfície da cobertura não é condutora. É a visão geral do tema, e os artigos ancorados em cláusula específica partem daqui.

O que a captação e as descidas fazem no sistema

A captação é o conjunto de elementos que oferece um ponto de impacto preferencial à descarga atmosférica: hastes verticais, condutores horizontais em malha, cabos suspensos, ou os próprios componentes metálicos da edificação quando validados como componentes naturais. As descidas conduzem essa corrente da captação até o eletrodo de aterramento, por caminhos múltiplos e tão diretos quanto a geometria permitir.

Antes de dimensionar qualquer um dos dois, o projeto precisa do nível de proteção, que não sai da Parte 3. Ele vem da análise de risco da Parte 2, e é ele que fecha todos os números adiante. Projeto que apresenta espaçamento de descidas sem declarar o nível de proteção adotado deixou de fora justamente a premissa que sustenta o resto.

Como a captação é posicionada

A norma admite três métodos de posicionamento, e a Tabela 2 fixa os máximos de cada um por nível de proteção:

  • Esfera rolante, com raio de 20, 30, 45 e 60 m nos níveis de proteção I a IV. É o método de aplicação universal, e o único aceito em algumas geometrias.
  • Malha de captação, com módulos de 5×5, 10×10, 15×15 e 20×20 m nos mesmos níveis. O módulo pode crescer até 25 % em uma das dimensões, desde que o perímetro do retângulo não aumente (5.3.2.7).
  • Ângulo de proteção, lido na Figura 1 por curvas que relacionam o ângulo à altura do captor. Acima da altura em que a curva termina, o método deixa de ser aplicável, e restam a esfera rolante e a malha.

Duas restrições da edição 2026 aparecem com frequência nas coberturas do Vale do Paraíba. A primeira: o método das malhas ficou proibido em superfícies curvas (5.3.2.5), o que alcança cúpulas, domos e radomes, onde a verificação passa a ser feita por esfera rolante. A segunda vale para prédio alto: em estruturas com mais de 60 m, os 20 % superiores são verificados com esfera rolante de nível IV, e a captação lateral se concentra em cantos, quinas e bordas, interligada às descidas ou às armaduras (5.3.2.14.2).

O material também é dimensionado

As Tabelas 7 e 8 foram reescritas por material, com condutividades mínimas, normas de produto e tolerância de fiscalização de 5 %. Para o captor vertical, as dimensões mínimas são 200 mm² (⌀ 16 mm) na versão maciça e 100 mm² com parede de 1,2 mm na tubular. Captor com mais de 1 m de comprimento, ou exposto a vento crítico, passa a exigir dimensionamento mecânico pela NBR 6123, o que na prática desloca a haste alta do catálogo para o cálculo.

Quando a captação se apoia na própria cobertura metálica, a Tabela 3 dá a espessura de chapa: 4 mm em aço e titânio, 5 mm em cobre e 7 mm em alumínio quando a perfuração precisa ser evitada. Aceita-se de 0,5 a 0,7 mm quando a perfuração da chapa é admissível, o que só se sustenta se nada inflamável estiver abaixo. O alumínio segue proibido em contato com a terra, o reboco e o concreto.

Quantas descidas, e a que distância entre elas

O espaçamento entre descidas vem da Tabela 5 e acompanha o nível de proteção: 10 m nos níveis I e II, 15 m no nível III e 20 m no nível IV. Os mesmos valores valem para os anéis intermediários. Duas regras acompanham a tabela e explicam a diferença entre prédios vizinhos: o sistema tem no mínimo duas descidas, e o espaçamento pode variar em até 20 % sem que o número de descidas seja reduzido. A preferência de posição é pelos cantos da edificação.

A armadura da estrutura pode assumir o papel de descida natural, e é assim que a maioria dos prédios de concreto do Vale do Paraíba resolve o percurso vertical. A norma condiciona esse uso: pelo menos 50 % das conexões precisam ser firmes e o trespasse das barras deve alcançar 20 vezes o diâmetro. Desde a edição 2026, a validação dos componentes naturais também precisa ser documentada formalmente (5.1.3.1), o que transfere para o projeto a obrigação de provar que a armadura foi verificada, e não apenas presumida.

Na descida condutora aparente, dois detalhes de execução são conferidos em vistoria: a fixação a cada 1,0 m em percurso horizontal e 1,5 m no vertical, e a proibição de emendas ao longo da descida. A única interrupção admitida é a conexão de ensaio, a cerca de 1,5 m do solo, que precisa ser abrível somente com ferramenta. Conexão de ensaio que abre com a mão, ou que sequer existe, compromete a medição do ciclo seguinte de manutenção de SPDA em condomínio.

A distância de segurança entre o SPDA e as massas da edificação

A corrente que desce pelo SPDA eleva o potencial do sistema em relação a tudo o que estiver próximo. Se a separação for insuficiente, ocorre centelhamento perigoso para tubulações, esquadrias, eletrodutos e estruturas metálicas. A cláusula 6.3 trata dessa separação pela distância de segurança s, calculada por s = (ki/km) · Σ(kci · li), com a forma simplificada s = ki · (kc/km) · l.

Os três coeficientes mantiveram os valores da edição anterior:

  • ki, pelo nível de proteção: 0,08 no nível I, 0,06 no II e 0,04 nos níveis III e IV (Tabela 11).
  • km, pelo meio entre as partes: 1 para o ar e 0,5 para material sólido (Tabela 12).
  • kc, pela divisão da corrente entre as descidas: 1 para descida única, 0,66 para duas e 0,44 a partir de três (Tabela 13).

O comportamento de kc explica por que acrescentar descidas costuma resolver interferência de projeto: mais caminhos paralelos reduzem a parcela de corrente em cada um, e a distância exigida cai junto. Quando o afastamento ainda assim não é viável, a alternativa prevista é a equipotencialização das partes, que remove a condição de centelhamento em lugar de aumentar a separação.

Captação e descidas sobre material não condutor

Sobre concreto, cerâmica e metal, captores e condutores podem ser fixados diretamente. Em outras superfícies a norma impõe afastamento: espaçador de no mínimo 0,10 m sobre madeira, vidro e polímeros, e 0,15 m sobre têxteis e palha (5.3.2.15.1 e 5.4.4.5). O ponto que mais gera correção em obra está em 8.1.1: o eletroduto de PVC usado como proteção mecânica não constitui isolação elétrica, e não substitui o espaçador. Descida que precise de isolação de fato é ensaiada a 100 kV com onda 1,2/50 µs, condição atendida, por exemplo, por XLPE de 3 mm ou mais.

Quando o conteúdo da edificação é sensível ao campo eletromagnético irradiado, o caminho previsto em 5.1.2.2 é o SPDA isolado, mantido afastado da estrutura por mastros. Nesse arranjo, mastro não metálico recebe uma descida por mastro, enquanto mastro metálico, ou de concreto com armadura contínua, dispensa a descida dedicada (5.4.2.1). Os componentes isolantes seguem a IEC 62561-8, referência que entrou na edição 2026. Vale lembrar que a descida única isolada trabalha com kc igual a 1, o pior caso da distância de segurança.

O que a vistoria encontra na cobertura

Nas inspeções que a IC Para Raios conduz em São José dos Campos, no Vale do Paraíba e no Litoral Norte, os achados de captação se repetem com pouca variação: condutor apoiado sobre a laje sem suportes, curva em ângulo fechado na transposição da platibanda, haste captora fora de prumo, fixação de barra de cobre com parafuso de aço formando par galvânico, e estrutura metálica na cobertura, como antena ou guarda-corpo, sem ligação visível ao sistema. No litoral, a corrosão avança mais rápido sobre conectores e hastes galvanizadas, e antecipa a troca de componentes.

Dois pontos merecem atenção específica em edificação antiga. O captor radioativo, ainda encontrado em prédios da região, tem retirada obrigatória pela Resolução CNEN 04/1989. E os captores com alegação de emissão precoce não têm volume de proteção reconhecido pela norma brasileira: o que gera volume de proteção são as dimensões físicas reais do captor. O artigo sobre SPDA em prédio antigo detalha como esse levantamento é conduzido, e o de laudo de SPDA descreve o documento que registra o resultado.

A Seção 8 acrescenta um requisito que passa despercebido em área de circulação junto às descidas. O risco de tensão de toque é considerado tolerável quando há pelo menos dez caminhos naturais de descida interconectados, ou quando a circulação de pessoas fica limitada a 3 m das descidas, ou ainda quando existe camada isolante equivalente a 5 cm de asfalto. Fora dessas condições, a norma pede isolação da descida, barreiras ou sinalização.

Perguntas frequentes

Quantas descidas um prédio precisa ter?

O número sai do perímetro da edificação dividido pelo espaçamento do nível de proteção adotado: 10 m nos níveis I e II, 15 m no III e 20 m no IV, com mínimo de duas descidas e preferência pelos cantos. Como o nível de proteção vem da análise de risco da Parte 2, dois prédios de mesma altura podem receber quantidades diferentes.

A estrutura de concreto pode servir de descida?

Pode, desde que a armadura seja validada como componente natural. A norma pede pelo menos 50 % das conexões firmes e trespasse de 20 vezes o diâmetro da barra, e a edição 2026 passou a exigir que essa validação esteja documentada formalmente no projeto.

Captor tipo Franklin ainda é aceito?

O captor vertical continua previsto, com dimensões mínimas de 200 mm² na versão maciça e 100 mm² com parede de 1,2 mm na tubular. O que a norma não reconhece é volume de proteção maior do que o gerado pelas dimensões físicas reais do captor, o que exclui a alegação de emissão precoce.

O condutor pode ser fixado direto sobre a telha?

Depende do material da cobertura. Sobre concreto, cerâmica e metal a fixação direta é admitida. Sobre madeira, vidro e polímeros a norma exige espaçador de no mínimo 0,10 m, e 0,15 m sobre têxteis e palha. Eletroduto de PVC não cumpre esse papel, porque protege mecanicamente sem isolar eletricamente.

O que fazer quando a distância de segurança calculada não cabe na edificação?

Há dois caminhos. Aumentar o número de descidas reduz o coeficiente de divisão de corrente, que cai de 0,66 com duas descidas para 0,44 a partir de três, e a distância exigida diminui. Quando o afastamento continua inviável, a solução prevista é equipotencializar as partes envolvidas.

Projeto, adequação e laudo de SPDA

Captação e descidas de SPDA no Vale do Paraíba

A IC Para Raios atua em engenharia elétrica desde 1994, com equipe própria e engenheiro responsável registrado no CREA-SP. Executamos:

  • Projeto de captação e descidas pela NBR 5419-3:2026
  • Verificação de posicionamento por esfera rolante, malha e ângulo de proteção
  • Cálculo de distância de segurança e equipotencialização de massas metálicas
  • Adequação de sistemas executados sob edições anteriores da norma
  • Inspeção e laudo de SPDA com ART

Atendemos São José dos Campos, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte de SP.

Conteúdo revisado por Engº Eletr. Ilton S. Coppio, CREA-SP nº 0601520979, engenheiro eletricista com atribuição plena para SPDA conforme Resolução CONFEA nº 218/73.

Este conteúdo é informativo e não substitui inspeção técnica específica para sua edificação. Os requisitos normativos citados devem ser confirmados no exemplar licenciado da norma.