No agronegócio, o que guarda o valor da operação costuma ser justamente o que está mais exposto a descargas atmosféricas. Silo, secador, galpão metálico e chaminé de caldeira ficam em campo aberto ou acima do resto da planta, e a granja ainda depende de energia sem interrupção. Este artigo reúne o que a NBR 5419 estabelece para essas estruturas e o que compõe uma avaliação técnica completa.
Por que as estruturas do agro concentram exposição
O Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo, segundo o INPE, e a geometria do agronegócio agrava a exposição das estruturas, uma vez que as edificações rurais e agroindustriais são, quase sempre, os pontos mais altos num raio de centenas de metros, como um silo de 30 metros cercado de lavoura, um secador ao lado da moega, a chaminé da caldeira ou o galpão de máquinas no alto do terreno.
Cada perfil de estrutura tem algo diferente em jogo quando o raio cai:
- Silos e armazéns. O ativo é a safra estocada, e a poeira de grão é material combustível, sendo que ambientes com risco de explosão recebem tratamento mais rigoroso na norma;
- Usinas de cana e plantas alimentícias, onde caldeira, chaminé, moenda e tancagem operam em regime contínuo e o custo de uma parada é elevado;
- Granjas e confinamentos. O plantel depende de ventilação e de alimentação elétricas, de modo que um surto que chega ao quadro de comando se converte em perda direta;
- Estruturas rurais em geral: pivôs, casas de bomba, oficinas e alojamentos, que compartilham a mesma condição de campo aberto e instalação elétrica longa e exposta.
O tema já foi tratado em A importância do SPDA em edificações rurais, no site principal. O recorte deste texto é o que a norma exige de cada configuração.
Cobertura metálica como captação natural
A dúvida mais frequente sobre galpões e silos é se a estrutura metálica, sozinha, já cumpre a função de proteção. A NBR 5419-3 admite o uso de elementos naturais como subsistema de captação, de modo que a cobertura metálica pode receber a descarga e as armaduras de aço dos pilares podem conduzi-la até o solo. Esse aproveitamento fica condicionado a requisitos objetivos: espessura mínima da chapa, continuidade elétrica entre os painéis, ausência de revestimento isolante e conexões verificáveis com o aterramento, tudo avaliado e documentado por profissional habilitado.
Quando os requisitos são atendidos, a configuração é vantajosa, dado que aproveita a estrutura existente e concentra o investimento nas descidas, na malha de aterramento e nas interligações. A verificação passa pela inspeção das conexões e das descidas, pelo ensaio de continuidade elétrica e pela medição da resistência de aterramento.

Captação dimensionada por estrutura
Uma unidade agroindustrial raramente se resolve com uma solução única de captação. Nas estruturas de armazenagem, a cobertura metálica costuma entrar como captor natural; nos pontos mais elevados, o que se usa são captores tipo Franklin sobre mastros; e as áreas de utilidades exigem ainda a equipotencialização de tanques, motobombas e estruturas. Cada área tem seu nível de proteção definido pela análise de risco da NBR 5419, e as malhas de aterramento são interligadas para formar um sistema único.


Inspeção com a unidade em operação
A vistoria e os ensaios são executados com a planta em funcionamento, sob os procedimentos de segurança da contratante, o que na prática significa integração, Permissão de Trabalho, bloqueio e etiquetagem (LOTO) e DDS diário, com equipe habilitada em NR-10 (Básico e Complementar SEP) e NR-35 para o trabalho em pontos elevados. Parar a produção para inspecionar SPDA é exceção.
A resistência de aterramento é medida ponto a ponto, com terrômetro calibrado, pelo método da queda de potencial, e a continuidade elétrica das conexões é verificada com instrumento de quatro fios, conforme o anexo normativo que a edição 2026 da NBR 5419-3 dedicou ao ensaio. Esses valores, registrados junto com a metodologia aplicada, são o que sustenta a conclusão do laudo.


O que compõe um laudo de SPDA
Seja silo, armazém, usina ou granja, o laudo técnico reúne o conjunto de evidências que sustenta a conformidade da unidade perante seguradora, Corpo de Bombeiros e auditorias:
- Relatório técnico detalhado, área por área, com classificação de cada item verificado;
- Resultados das medições com a metodologia aplicada, ou seja, instrumento utilizado, método e critério de referência;
- Relatório fotográfico das áreas, das conexões e dos pontos de medição;
- Croqui da malha de aterramento, que serve de referência para as manutenções futuras;
- Lista de não conformidades com plano de ação, quando houver, além das recomendações de manutenção preventiva;
- ART registrada no CREA pelo engenheiro responsável.
Já explicamos o que é o laudo de SPDA, quem pode emitir e qual a validade; para plantas industriais, vale também a leitura de Inspeção de SPDA em galpão industrial: o que o Corpo de Bombeiros exige.
Quando inspecionar a estrutura
A verificação é anual, com medições. Boa parte das instalações do agronegócio cai nas condições em que a NBR 5419-3:2026 fixa o ciclo de um ano, como área classificada e risco de explosão; e, mesmo fora delas, a NBR 14037:2024 exige na Tabela A.1 do seu Anexo A, normativo, o atestado do SPDA renovado a cada ano. Há situações que pedem atenção além desse calendário:
- Ambientes com poeira combustível (grãos, farelo, bagaço) e áreas com risco de explosão, em que o intervalo entre as verificações é menor;
- Após descarga atmosférica direta registrada na estrutura, caso em que cabe inspeção extraordinária antes da próxima temporada de chuvas;
- Após ampliações. Um silo novo, um secador mais alto, um galpão anexo: toda estrutura nova e elevada muda a análise de risco do conjunto.
Perguntas frequentes
Silo metálico precisa de para-raios?
A própria estrutura metálica do silo pode desempenhar a função de captação e de descida natural, desde que atenda aos requisitos de espessura e de continuidade elétrica da NBR 5419-3 e esteja associada ao aterramento, à equipotencialização e à verificação por engenheiro habilitado. Quem define o nível de proteção exigido é a análise de risco prevista na norma.
O telhado metálico do galpão já não é proteção suficiente?
A cobertura metálica pode ser aceita como subsistema de captação natural, desde que espessura, continuidade elétrica entre os painéis, descidas e malha de aterramento atendam à NBR 5419. Essa verificação é executada e documentada por engenheiro habilitado, com medições.
A inspeção do SPDA exige parar a produção?
Em geral, não. Com Permissão de Trabalho, procedimentos LOTO e DDS, e equipe habilitada em NR-10 e NR-35, a vistoria e as medições são executadas com a planta em operação, acompanhando o ritmo da unidade.
A seguradora pode exigir o laudo de SPDA da estrutura rural?
Seguradoras costumam solicitar a comprovação de conformidade do SPDA em auditorias de risco, na renovação da apólice e na análise de sinistro, com atenção especial a armazéns com safra estocada, usinas e plantas industriais. O laudo com ART registrada no CREA é a evidência técnica aceita.
Engenharia elétrica desde 1994
SPDA para silos, armazéns, usinas e estruturas rurais.
A IC Para Raios atua no agronegócio com:
- Vistoria, medições e laudo com relatório fotográfico e ART registrada no CREA
- Projeto e execução para estruturas novas ou adequação das existentes
- Aterramento e equipotencialização de malhas rurais e industriais
- Atuação com a planta em operação, com PT, LOTO, DDS, NR-10 e NR-35
Atendimento em todo o estado de São Paulo.
Imagens do acervo técnico da IC Para Raios.
Conteúdo revisado por Engº Eletr. Ilton S. Coppio, CREA-SP nº 0601520979 — engenheiro eletricista com atribuição plena para SPDA conforme Resolução CONFEA nº 218/73.
Este conteúdo é informativo e não substitui inspeção técnica específica para sua estrutura. Para avaliação do seu caso, entre em contato.


