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Energia solar

Manutenção de energia solar: o que o condomínio ou a empresa deve exigir

21 · setembro · 2026 Leitura de 7 min Revisão de engenharia
Módulos fotovoltaicos em cobertura, vistos de perto, com poeira acumulada sobre o vidro das células
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Manutenção de energia solar é um sistema a mais no programa de manutenção do prédio, com escopo, responsável e registro próprios. O condomínio ou a empresa exige da contratada uma proposta que descreva as atividades seguindo o manual do fabricante, um relatório que diga o estado dos módulos, das conexões, do inversor e das proteções, e o documento de responsabilidade técnica do serviço. Sistema instalado há alguns anos sem nenhum desses registros começa por uma inspeção completa.

A situação é comum entre síndicos, gestores patrimoniais e responsáveis de manutenção em São José dos Campos e no Vale do Paraíba: o sistema foi instalado, a garantia foi entregue junto com a nota, e desde então ninguém subiu à cobertura. O texto abaixo trata do que cabe a quem contrata e presta contas. A parte de projeto e dimensionamento fica no relatório de quem executa.

O sistema solar dentro do programa de manutenção

A NBR 5674:2024 organiza a manutenção de edificações por sistemas. Para cada um, o programa precisa dizer qual é a atividade, com que frequência ela acontece, quem executa, como se comprova e quanto custa. A norma manda que o intervalo de cada sistema observe as prescrições do projeto e das especificações técnicas, e que o programa considere a orientação dos fornecedores e os manuais de uso e operação. No sistema fotovoltaico, isso significa que o manual do fabricante dos módulos e o do inversor são a base do calendário.

A mesma norma pede que o programa indique se cada serviço fica com a equipe de manutenção local, com empresa capacitada ou com empresa especializada. Limpeza de rotina, conferência do visor do inversor e manutenção elétrica das conexões são atividades de natureza diferente, e o programa do prédio tem de dizer quem faz o quê.

Há ainda um ponto que interessa diretamente à administração: a NBR 5674 vincula as garantias à execução correta do programa de manutenção. Quando o fabricante ou o instalador pede comprovação de manutenção para atender a uma reclamação, o que vale é o registro guardado, com data e responsável.

Riscos de um sistema sem manutenção

Os riscos aparecem primeiro em termos administrativos, antes de qualquer falha visível:

  • geração abaixo do esperado, que a administração percebe na conta de energia sem saber a causa, seja sujeira nos módulos, sombra nova, módulo danificado ou inversor fora de operação;
  • aquecimento em conexões de cabos, conectores e quadros de proteção do sistema, que não aparece a olho nu e evolui sem aviso;
  • dano por surto, em que o inversor ou a proteção do sistema deixa de funcionar depois de uma tempestade;
  • perda de argumento na garantia, quando não há registro de manutenção para apresentar ao fabricante.

O que pedir no escopo da proposta

A NBR 5674 lista o que o orçamento de um serviço de manutenção deve conter: escopo, descrição de cada atividade com prazo, especificações técnicas, responsabilidades de cada parte, inclusive quanto à segurança do trabalho, indicação do responsável técnico e garantias. Para o sistema solar, a proposta deve deixar claro, no mínimo:

  • a inspeção visual dos módulos, das estruturas de fixação e dos cabos na cobertura;
  • a limpeza dos módulos, com método e produto definidos pelo manual do fabricante;
  • a verificação das conexões e dos quadros de proteção do lado dos módulos e do lado do inversor, com termografia quando o contrato prevê;
  • a conferência do inversor: alarmes registrados, histórico de geração e condições de ventilação do local;
  • a verificação dos dispositivos de proteção contra surtos (DPS) e da ligação do sistema ao aterramento do prédio;
  • a forma de acesso seguro à cobertura, que a NBR 5674 exige estar prevista no planejamento, e o atendimento à NR-35 no trabalho em altura.

O que o relatório deve trazer

Relatório que diz apenas "sistema em ordem" não serve à prestação de contas. Pela NBR 5674, o relatório de inspeção descreve a degradação encontrada, estima a perda de desempenho quando possível, recomenda as ações e traz um prognóstico, ou seja, o que tende a acontecer se nada for feito. Para o sistema solar, o gestor confere se o documento traz:

  • a identificação do sistema: quantidade de módulos, modelo do inversor e local de instalação;
  • fotos datadas dos pontos inspecionados e das não conformidades;
  • a comparação da geração registrada com o histórico do próprio sistema;
  • as correções recomendadas, em ordem de prioridade;
  • nome, título e registro do responsável técnico, com a ART do serviço.

Esse relatório, o contrato, a ART, os manuais dos fornecedores e os registros de cada serviço entram na documentação do programa de manutenção. A norma coloca o arquivo sob a guarda do síndico ou do proprietário e manda entregá-lo formalmente ao sucessor quando o responsável legal muda.

Onde o sistema solar encontra o quadro, o DPS e o SPDA

O inversor entrega a energia gerada à instalação elétrica do prédio, e esse ponto de ligação é instalação de baixa tensão, regida pela NBR 5410. É essa norma que trata da proteção do quadro contra sobrecorrentes e contra sobretensões, inclusive com DPS. A manutenção do sistema solar precisa olhar também esse trecho, porque um defeito no quadro que recebe o inversor pode afetar outros circuitos do prédio.

Na cobertura, os módulos passam a dividir espaço com o SPDA, o sistema de proteção contra descargas atmosféricas. A NBR 5419, na edição de 2026, passou a tratar expressamente de sistemas fotovoltaicos e a citar norma específica de DPS para o lado de corrente contínua desses sistemas. Instalar módulos altera as características da cobertura, e a NBR 5419 alcança reformas e alterações de características da edificação: o SPDA precisa ser reavaliado depois da instalação dos módulos.

Quanto ao calendário do SPDA, a NBR 14037:2024 traz no Anexo A, que é normativo, o atestado de SPDA com renovação a cada ano sob incumbência do condomínio (Tabela A.1). Fora desse calendário, a inspeção também é necessária depois de suspeita de descarga sobre a estrutura e depois de reforma ou alteração de uso. O artigo sobre manutenção de SPDA em condomínio trata desse contrato.

Como a IC Para Raios atua

A IC Para Raios inspeciona sistemas e usinas solares fotovoltaicas em São José dos Campos, no Vale do Paraíba e no Litoral Norte, avalia o quadro que recebe o inversor e o SPDA da cobertura, e emite relatório técnico com ART de engenheiro eletricista registrado no CREA-SP. O relatório indica o que está em ordem, o que precisa de correção e em que ordem. Quem está na fase anterior, de aprovar um sistema novo, encontra no artigo sobre quem pode assinar projeto de energia solar o que conferir na proposta de instalação.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo o sistema solar precisa de manutenção?

O intervalo sai do manual do fabricante dos módulos e do inversor, e entra no programa de manutenção do prédio. A NBR 5674:2024 manda que o intervalo de cada sistema observe as prescrições do projeto e das especificações técnicas. O SPDA da cobertura tem calendário próprio, com atestado renovado a cada ano pela NBR 14037:2024.

A limpeza das placas pode ser feita pela equipe do condomínio?

A NBR 5674 admite serviços feitos pela equipe de manutenção local, desde que orientada, e pede que o programa diga quem executa cada atividade. O método de limpeza segue o manual do fabricante, e o acesso à cobertura precisa ser seguro, com atendimento à NR-35. Verificação de conexões, inversor e proteções fica com empresa especializada.

Colocar placas solares no telhado obriga a revisar o para-raios?

A instalação altera as características da cobertura, e a NBR 5419 alcança alterações de características da edificação. O SPDA deve ser reavaliado depois da instalação dos módulos, com o resultado registrado em relatório.

O que o síndico deve guardar depois da manutenção?

O relatório com fotos e recomendações, a ART do serviço, o contrato, os manuais dos fornecedores e o registro de cada intervenção. Pela NBR 5674, essa documentação fica sob a guarda do síndico e passa formalmente ao sucessor na troca de gestão.

Energia solar

Inspeção de sistemas fotovoltaicos no Vale do Paraíba

A IC Para Raios atua em engenharia elétrica desde 1994, com equipe própria e engenheiro responsável registrado no CREA-SP. Executamos:

  • Inspeção de sistema e usina solar fotovoltaica
  • Avaliação do quadro que recebe o inversor e dos DPS
  • Inspeção do SPDA da cobertura com módulos instalados
  • Relatório técnico com ART de engenheiro eletricista

Atendemos São José dos Campos, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte de SP.

Conteúdo revisado por Engº Eletr. Ilton S. Coppio, engenheiro eletricista registrado no CREA-SP sob o nº 0601520979.

Este conteúdo é informativo e não substitui a inspeção do sistema nem o manual do fabricante de cada equipamento. As regras citadas devem ser confirmadas nas edições vigentes da NBR 5674, da NBR 5410, da NBR 5419 e da NBR 14037.